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UNESCO
Quer Relatório Sobre Recomendações Feitas a Sintra
Por
LUÍS FILIPE SEBASTIÃO
Sábado,
18 de Janeiro de 2003
Paisagem
Cultural
Comité do Património Mundial vai receber pedido
para nova missão de peritos
O Comité do Património Mundial quer saber, até 1 de
Fevereiro, o que foi feito das suas recomendações para
resolver os problemas na Paisagem Cultural de Sintra. Enquanto
isso, a Comissão Nacional da UNESCO vai remeter para Paris um
pedido da autarquia sintrense para que se antecipe uma nova
missão de peritos para avaliar as intervenções na área
património da humanidade.
A proposta da autarquia foi apresentada na sequência de várias
intervenções polémicas levadas a cabo pela empresa Parques
de Sintra-Monte da Lua, uma sociedade de capitais públicos
criada para gerir monumentos e parques históricos da zona
classificada. Todavia, alguns dos trabalhos realizados
acabaram, conforme comprovaram técnicos do Museu Arqueológico
de São Miguel de Odrinhas, do Instituto Português de
Arqueologia e do Instituto Português do Património Arquitectónico,
por levar à destruição de vestígios arqueológicos.
O presidente da autarquia decidiu então, além de exigir
que o município passasse a ter a maioria do capital da
sociedade, solicitar uma nova missão de peritos do Icomos
(Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) e da IUCN
(União Internacional de Conservação da Natureza). A visita,
segundo então explicou Fernando Seara, servirá para
fiscalizar as intervenções realizadas e "para ajudar a
elaborar o plano de gestão" da zona classificada. O
pedido, aliás, visa antecipar a missão que os técnicos do
Icomos e da IUCN que visitaram Sintra, em Outubro de 2000,
admitiram ser necessário repetir.
A elaboração de um plano de gestão para a zona
classificada da serra e do centro histórico foi uma das exigências
apontadas pelo relatório então elaborado. Embora os técnicos
ao serviço da UNESCO não tenham considerado que a área se
encontrasse sob qualquer "ameaça específica",
aconselharam, no entanto, que deveria ser feito "um
ajustamento" da zona de protecção máxima da serra de
Sintra no plano de ordenamento do Parque Natural de
Sintra-Cascais (PNSC) para coincidir com o espaço inscrito na
lista do património da humanidade. Isto porque o PNSC admite
algumas actividades na área, nomeadamente "equipamentos
de recreio", que a UNESCO quer evitar.
Após a missão conjunta do Icomos e da IUCN, a Paisagem
Cultural sintrense manteve-se na agenda do Comité do Património
Mundial. Na última sessão realizada em Budapeste, em Junho
de 2002, o organismo tomou conhecimento de um relatório sobre
a situação e felicitou as autoridades nacionais "pelas
acções efectuadas para a preservação e protecção"
do sítio classificado. Porém, deliberaram recordar as
recomendações adoptadas pelo "bureau" da organização,
com base nas conclusões da missão de peritos. Além do
ajustamento do plano do PNSC, devem ser criados um conselho técnico
independente para a Paisagem Cultural e uma associação
(consultiva) de residentes, bem como um centro público de
informação, investigação e documentação.
Por fim, o comité insiste para que Portugal apresente um
relatório sobre a concretização destas recomendações até
ao próximo dia 1 de Fevereiro, e que seja submetido um plano
de gestão detalhado do sítio à próxima sessão, em finais
de Junho de 2003.
Segundo o vereador da Cultura na Câmara de Sintra, Cardoso
Martins, a autarquia tem vindo a trabalhar no sentido de criar
um conselho académico, que reunirá técnicos de várias
especialidades, reconhecendo uma maior dificuldade na
constituição de uma associação de residentes. Contudo,
acredita na criação das duas estruturas e tenciona reservar
espaço no edifício do turismo da vila para a sua instalação.
O vereador apoia o ajustamento da protecção máxima entre
o PNSC e a zona património mundial, assim como a preservação
das zonas tampão e de transição, por forma a que a área
classificada não se transforme numa ilha rodeada de betão.
Isso mesmo tem sido defendido por associações ambientalistas,
como o Grupo Ecológico de Cascais, ou um antigo consultor do
Icomos norte-americano e residente no Cabo da Roca, Arcadi
Nebolsine, para quem a classificação da UNESCO deveria ser
alargada a toda a serra e outras áreas dentro do PNSC para
uma maior preservação da Paisagem Cultural. 
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