MAIS DO QUE um local onde se expõem objectos, o Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas é um espaço vivo,  pedagógico e criativo. E uma espécie de livro de pedra ainda com muitas páginas em branco à espera de receberem muitas mais histórias. Alicerçado numa realidade arqueológica conhecida e estudada há muitos anos, o museu de Odrinhas começou por ser imaginado com Francisco d'Ollanda, quando este humanista decidiu reunir em torno da antiga ermida de São Miguel um apreciável conjunto de monumentos epigráficos encontradas por entre as ruínas romanas do local. Em 1955, o município de Sintra tenta uma experiência inovadora para o seu tempo: a construção, em plena zona rural, de um pequeno núcleo museológico que reunisse em Odrinhas as antiguidades entretanto dispersas, além de outras mais recentemente detectadas.

Só em 1999 surgia então um espaço concebido para o efeito onde se reúne uma colecção única , de inscrições em pedra, abrangendo mais de dois milénios, desde a presença romana, o período visigótico, a época medieval até ao renascimento. A maior colecção do museu é constituída por monumentos funerários romanos, mas também se expõem três sarcófagos etruscos recolhidos nos jardins de Monserrate, aí colocados por Francis Cook, lápides comemorativas, lintéis com inscrições sagradas, estelas e cruzeiros. A visita ao museu de Odrinhas deve ser completado por um salto à biblioteca, com cerca de 20 mil volumes, que inclui crónicas, manuais e livros especializados, desde o século XVI até à actualidade. Visitem-se depois as ruínas de uma villa romana, ocupada desde o século I a. C. Para além das estruturas habitacionais, conservam-se mosaicos policromos, canalizações da época imperial, ruas e calçadas, pavimentos e outras estruturas próprias de uma importante habitação romana.

As ruínas da villa romana e a própria ermida, com o mesmo nome, que ainda se encontra aberta ao culto, funcionam como extensão ao ar livre do próprio museu, construído em articulação com esta estação arqueológica. Juntam-se a estas estruturas necrópoles medievais bem preservadas. Do resultado dos sucessivos trabalhos arqueológicos, a villa de Odrinhas será maior do que aquilo que hoje é possível observar . Segundo Cardim Ribeiro director do museu, «escondem-se por debaixo da terra outras estruturas próprias de uma villa de grandes dimensão. Falamos de termas, habitações, zonas de trabalho, como os teares e até de lazer». Antes de terminar a visita não deixe de conhecer a sala de exposições temporárias do museu onde se mostram os trabalhos da escola - oficina aqui existente que restaura e recria os mosaicos romanos.